domingo, 25 de novembro de 2012

FAZ DE CONTA





Vamos brincar de faz de conta
É como sonhar sem dormir
É como ir lá sem sair
É como a gente preferir
Todos os dias serão de sol
Todos os lugares serão de brincar
De correr, de voar
De pintar e bordar
De gostosura e travessura
De ir e voltar
De dormir pra sonhar
E pra brincar acordar
Todos os dias então serão assim,
E quando não for, fazemos de conta,
E tudo será enfim...

Vera Celms
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domingo, 18 de novembro de 2012

BATEM À PORTA





Não era a primeira vez
Que batiam na porta
Não era a primeira vez
Que ao abrir ninguém achava
A não ser o vento gélido da madrugada
Que zunia por todas as frestas
Fazendo com que até as arvores,
lá fora, se abraçassem
Curvadas de medo
Sempre à mesma hora
Passado um pouco da meia noite
Noite limpa, lua alta
O frio de cortar a pele
Anunciava quiçá uma tempestade
Primeiro achava que fosse a porta
A estremecer com o vento
Mas se isso fosse
Também estremeceriam as janelas
Mas, a batida era certa
Era batida insistente e forte
Decidida, de quem quer entrar
Ou saber quem está
Dormindo, espreitando, esperando
Era batida de quem quer mesmo bater
E sobressaltar,
Assustar
E se motivo houvesse, chamar
Mas não há ninguém lá
Nunca há ninguém lá
Atrás da batida,
Forte e resoluta
Nenhuma alma, nenhuma absoluta
Ninguém a esperar
Talvez a se esconder corresse
Talvez ao chamado respondesse
Mas, aonde coloco o medo?
Conhecidos por aqui, conta-se a dedo
Melhor eu me fingir de morta
E nem pensar em abrir a porta
Voltar pra cama como quem não ouviu
E confiar de que ninguém ainda me viu
Posso até não dormir
Mas a porta, não vou abrir
E ela tremeu a noite inteira
A situação ficou corriqueira
Sempre no começo da madrugada
Quando apago as luzes da casa
Fico escondida lá dentro
E jamais fiquei sabendo
Se é vento ou malcriação
Mas, da cama não saio mais não...

Vera Celms
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sábado, 10 de novembro de 2012

É MANHA MINHA!




Choro de dor
De sono, de bravo,
Se a fome for grande demais
Choro se você briga comigo
Também não gosto de castigo
Não gosto de injeção,
De dentista também não
Choro se ninguém fala comigo
Se não me chamam pra brincar
Se a bola cai em outro lugar
Choro quando eu me ralo
E se o curativo arder também
Choro com medo do escuro
E também se caio do muro
Não choro com azedo, nem com amargo
E nem quando acordo molhado
Faço bico, engulo o choro de raiva
Pra ninguém dizer que é manha
Aí a lagrima fica indecisa,
e fica esperando, esperando, esperando...
Sentada na beira do poço do olho
As vezes seca, as vezes sai,
As vezes volta, as vezes cai...
Mas, é as vezes, só as vezes.

Vera Celms
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domingo, 4 de novembro de 2012

XANINHO





Meu gato só não aprendeu a falar,
Mas nem podia me queixar
Ele sabia fazer o que outros gatos,
nem podiam imaginar,
Gato vira novelo
Vira o rolo de papel no banheiro
Pega barata (que nojo!)
Caça o “tadinho” do passarinho
Corre atrás do ratinho
E como corre do cãozinho!!!
Mas o que nenhum outro gato sabia
Era abrir a porta do armário da cozinha
Também não aprendeu a desenroscar vidros,
pra comer o petisco de camarão
Mas não estranha não,
Afinal era só um gato
Que me fazia feliz  
E miava como poucos
Quando a barriga fazia sons ocos...

Vera Celms